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Novo relatório da INEW apresenta panorama global sobre armas explosivas em áreas povoadas

  • 31 de jul.
  • 5 min de leitura
Chamas e fumaça se elevam de um edifício residencial após ataques do Exército israelense à Torre al-Ruya, na Cidade de Gaza, Faixa de Gaza, em 7 de setembro de 2025. Fonte: © Ali Jadallah / Anadolu via Getty Images.
Chamas e fumaça se elevam de um edifício residencial após ataques do Exército israelense à Torre al-Ruya, na Cidade de Gaza, Faixa de Gaza, em 7 de setembro de 2025. Fonte: © Ali Jadallah / Anadolu via Getty Images.

Ao longo de 2025, civis em dezenas de países continuaram a sofrer os impactos devastadores do uso de armas explosivas em áreas populadas. O Explosive Weapons Monitor 2025, produzido pela International Network on Explosive Weapons (INEW) com dados do Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) e da Insecurity Insight, oferece um panorama global sobre esse fenômeno e seus efeitos humanitários.


O relatório documenta danos a civis e à infraestrutura civil em ao menos 65 países, territórios e localidades marítimas ao redor do mundo. Desses, 13 foram gravemente afetados em todas as dimensões monitoradas pelo relatório, incluindo mortes e desafios no acesso à saúde, educação, assistência humanitária, alimentação e água. São eles: República Democrática do Congo, Etiópia, Irã, Iraque, Líbano, Mianmar, Palestina, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia e Iêmen. A concentração geográfica do sofrimento revela padrões persistentes de conflito armado que afetam populações inteiras, muitas vezes por anos consecutivos, sem perspectiva de resolução imediata.


Países, territórios e locais marítimos onde civis foram afetados pelo uso de armas explosivas em 2025. Fonte: Explosive Weapons Monitor 2025/INEW
Países, territórios e locais marítimos onde civis foram afetados pelo uso de armas explosivas em 2025. Fonte: Explosive Weapons Monitor 2025/INEW

O relatório também aponta que o aferido no ano de 2025 representa a continuidade de uma tendência que se aprofunda desde 2023, quando os danos a civis atingiram níveis sem precedentes históricos recentes. O cenário atual reflete a consolidação de práticas de guerra que colocam populações civis no centro das hostilidades, em flagrante violação dos princípios fundamentais do Direito Internacional Humanitário.


O dado mais impactante do relatório é o registro de mais de 22.600 mortes civis causadas pelo uso de armas explosivas ao longo de 2025. Embora represente uma redução de 21% em relação a 2024, quando mais de 28.600 civis foram mortos, essa queda deve ser lida com cautela. Ela se deve, em grande medida, aos acordos de cessar-fogo firmados na Palestina e no Líbano, que reduziram temporariamente o ritmo de ataques das Forças Armadas israelenses nesses territórios. Por outro lado, quando se isolam as mortes causadas por todos os demais atores estatais e não-estatais no mundo, o número aumentou cerca de 7% em relação ao ano anterior.


As Forças Armadas israelenses permaneceram responsáveis por mais de 55% de todas as mortes civis globais atribuídas ao uso de armas explosivas em 2025, o que corresponde a mais de 12.500 vidas. Em proporção, isso representa uma redução em relação a 71% em 2024 e 76% em 2023, reflexo direto das pausas nos combates. Ainda assim, a concentração de mortes atribuídas a um único ator em contextos específicos, sobretudo na Palestina, distorce significativamente os padrões globais e evidencia a escala singular dos danos nessa região.


Entre os demais atores causadores de um alto número de mortes civis registradas em 2025, o relatório aponta as Forças Armadas de Mianmar, com aproximadamente 2.300 mortes atribuídas; as Forças Armadas Russas, com cerca de 2.200; as Forças Armadas Ucranianas, com aproximadamente 600; e as Forças Armadas do Sudão, com cerca de 580. Atores não-estatais foram responsáveis por quase 3.400 mortes em todo o mundo. Esses números, por si só, revelam que o problema vai muito além de um único conflito ou região e exige uma resposta internacional articulada e consistente.


O relatório também estima que entre 16.000 e 85.900 civis foram feridos por armas explosivas em 2025. A amplitude dessa faixa reflete as dificuldades metodológicas inerentes ao registro de feridos em zonas de conflito, onde o acesso é restrito, os sistemas de saúde estão comprometidos e as fontes de informação são inconsistentes. A estimativa máxima, segundo os autores, é a que mais se aproxima dos casos em que tanto mortes quanto ferimentos são sistematicamente registrados.


O número de países que endossaram a Declaração Política sobre o Fortalecimento da Proteção de Civis frente às Consequências Humanitárias do Uso de Armas Explosivas em Áreas Povoadas, adotada em Dublin em novembro de 2022, e cujas forças armadas causaram danos civis com armas explosivas passou de cinco em 2024 para oito em 2025, incluindo Camboja, Quênia, Marrocos, Nigéria, República da Coreia, Somália, Türkiye e Estados Unidos. Os territórios e localizações impactadas por ações dessas forças também aumentaram de cinco para treze.


A Declaração Política representa um avanço normativo importante, ao reconhecer que o uso de armas explosivas em áreas densamente povoadas tende a causar danos humanitários inaceitáveis e ao exigir que os Estados adotem políticas e práticas para prevenir esses danos. No entanto, o crescimento do número de signatários que violaram esses princípios em 2025 indica que a implementação da Declaração permanece insuficiente e que mecanismos de responsabilização e monitoramento precisam ser fortalecidos com urgência.


O uso de armas explosivas contra operações humanitárias atingiu níveis alarmantes em 2025. A Insecurity Insight registrou 2.541 incidentes em que armas explosivas afetaram operações, trabalhadores e instalações de assistência humanitária em 17 países e territórios ao longo do ano. Esse número representa um aumento de 52% em relação a 2024, quando 1.668 incidentes foram documentados.


O relatório documenta ainda um crescimento expressivo nos ataques a instalações educacionais. Foram registrados 1.416 incidentes em que armas explosivas danificaram ou destruíram escolas e universidades, ou mataram professores e estudantes, em 27 países e territórios. O número representa um aumento de 64% em relação a 2024, quando 865 incidentes foram documentados em 22 países.


Os países com maior número de incidentes foram Ucrânia (723), Palestina (262) e Mianmar (260). Na Ucrânia, o número de incidentes mais que dobrou em relação ao ano anterior, com 92% dos casos atribuídos às Forças Armadas russas, que atacaram escolas com drones e outros sistemas aéreos, além de artilharia. O uso de drones em ataques a escolas por forças russas cresceu 358% em relação a 2024. Em diversas regiões, escolas foram forçadas a migrar para o ensino remoto, enquanto os danos à infraestrutura energética impediram até mesmo aulas online em algumas localidades.


Na América Latina, o relatório documentou casos de uso de drones armados em Haiti, Colômbia e México. No Haiti, o Human Rights Watch registrou ao menos 141 operações com drones armados entre março de 2025 e janeiro de 2026, resultando em 1.243 mortos e 738 feridos. Foi a primeira vez que se documentou o uso sistemático de drones explosivos como ferramenta de segurança pública por forças estatais, incluindo drones quadricópteros. Em Cité Soleil, um ataque próximo a um complexo esportivo matou ao menos dez civis, entre eles nove crianças com idades entre três e doze anos que haviam se reunido para receber doações. Na Colômbia, dissidentes das FARC e o ELN utilizaram drones adaptados comercialmente em ao menos 17 incidentes documentados, incluindo um ataque a um hospital de campanha das Médecins Sans Frontières em El Plateado, Cauca. No México, cinco incidentes com drones resultaram em três mortes e ao menos 14 feridos em estados como Michoacán, Veracruz, Jalisco e Sinaloa. Para saber mais sobre a utilização de drones armados na América Latina, leia a matéria Drones Armados na América Latina e Caribe: Uso por Grupos Armados não Estatais e o Aumento da Insegurança Social.


Redação: Giovanna Rezende

Revisão: Fernando Fiala

31/07/2026 BRT


O conteúdo deste artigo é de responsabilidade de seus autores e não reflete necessariamente o posicionamento institucional da Dhesarme.


EXPLOSIVE WEAPONS MONITOR. Explosive Weapons Monitor 2025. [S. l.]: Explosive Weapons Monitor, 2026. Disponível em: https://explosiveweaponsmonitor.org/reports/9/explosive-weapons-monitor-2025/. Acesso em: 31 jul. 2026.



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