Vozes Jovens pelo Desarmamento: A Experiência de Mayra Ghotme na 3ª Conferência de Revisão da Convenção sobre Munições Cluster

Entre os dias 14 e 18 de setembro, a jovem ativista Mayra Ghotme, assistente de comunicação da Dhesarme e fellow do programa Mine Action Fellows, participou da 3ª Conferência de Revisão da Convenção sobre Munições Cluster (3RC) em Vientiane, no Laos.
O evento, que reuniu representantes de mais de 115 países, organizações internacionais e outros membros da sociedade civil, firmou-se para acompanhar as discussões acerca da importância da implementação e revisão da convenção, os desafios relacionados a esse tipo de armamento e as singularidades que permeiam os processos de assistência às vítimas. A jovem relatou que na Conferência discutiu-se também a relevância da participação da juventude em espaços de construção e fortalecimento dos esforços internacionais de desarmamento e paz.
Hoje graduanda de Relações Internacionais, a jovem ressalta o quão transformador foi vivenciar essa experiência, tanto pessoalmente quanto para suas perspectivas acadêmica e profissional. Atuando diretamente no trabalho de advocacy em espaços como o da Conferência, Mayra destaca que aprender mais sobre a atuação dos tratados internacionais na proteção de civis e sobre a importância da participação juvenil na promoção de uma diplomacia internacional efetiva é enriquecedor e transformador para sua atuação como ativista pelo desarmamento.
“Os jovens não devem ser vistos apenas como o futuro do desarmamento humanitário, mas também como atores que estão contribuindo ativamente para sua construção no presente.”
Durante os dias de evento, várias atividades foram desenvolvidas para ampliar a compreensão sobre a importância da proibição das munições cluster e da urgência do combate aos seus impactos humanitários. Nesse sentido, foi proporcionada aos participantes a oportunidade de ver, com proximidade, os impactos desses armamentos sobre as comunidades de Vientiane, que lidam diariamente com as consequências de territórios contaminados pelo uso de munições cluster.
“Estar nesse meio também me fez entender a importância da atuação da sociedade civil nesses espaços, pois somos nós quem buscamos mudanças, por meio do advocacy, em prol da paz.”

A experiência representou à jovem a oportunidade de grandes aprendizados. Em especial, Mayra ressalta a mudança que estar em contato com vítimas e sobreviventes dos impactos humanitários desses armamentos provocou em sua perspectiva sobre o tema. Desta forma, a experiência permitiu que ela compreendesse a urgência de ampliar ao máximo o alcance da assistência às vítimas nas comunidades afetadas. A jovem destaca, ainda, que essa percepção não pode se limitar a um armamento, caso ou acidente específico, mas deve ser geral e ampliada a todos aqueles afetados de forma indiscriminada por conflitos armados. Uma perspectiva que busca não apenas tratar os danos físicos decorrentes da utilização desses armamentos, mas também garantir o acompanhamento e o suporte psicológico e socioeconômico às vítimas, às famílias e às comunidades afetadas. Buscando enfrentar os efeitos diretos do uso desses armamentos, bem como a discriminação, a desestabilização das comunidades civis e outros impactos humanitários decorrentes do emprego de munições cluster..
“O apoio às vítimas deve olhar para além das consequências causadas por uma determinada arma, contemplando todas as pessoas que sofreram os impactos daquele conflito, independentemente de como foram feridas ou das consequências que enfrentam.”
Por isso, a jovem ativista considera que para se tornar um ativista na área do desarmamento humanitário hoje, é necessário sensibilidade.
“Ao ter contato com temas que afetam de forma tão profunda a vida das pessoas, precisamos ser cautelosos. É necessário um senso de humanidade que demonstre que estamos falando de vidas, famílias, histórias e direitos humanos básicos que foram violados e precisam ser protegidos.”
São vários os desafios, principalmente em relação aos esforços de mobilização da sociedade civil organizada para se manter ativa, pressionando Estados, durante as negociações e após a adoção e ratificação dos tratados pelos Estados. É nesse sentido que a jovem vê no trabalho de comunicação realizado pela Dhesarme, área em que atua, uma forma de organizar e amplificar as reivindicações pela proteção dos direitos humanos e civis, utilizando as redes sociais para conscientizar o público sobre a importância do desarmamento humanitário e do Direito Internacional Humanitário.
Mayra destaca que, apesar das dificuldades enfrentadas, as vozes jovens causam impactos nessas discussões e, por mais que ambientes como este pareçam e possam, de fato, estar distantes da realidade das vozes jovens, elas têm muito a agregar.
“A participação de jovens nesses espaços é muito importante para mantermos os avanços do presente e para as conquistas do futuro. Nós precisamos ocupar esses espaços de tomada de decisão para garantirmos um futuro de paz e um presente estável.”
A jovem ativista Mayra Ghotme finaliza deixando seus agradecimentos à Dhesarme, por contribuir para seu envolvimento com o tema do desarmamento humanitário, à Mines Action Canada e ao Mines Action Fellows, por tornar possível essa experiência, e aos Fellows que conheceu durante essa jornada, por terem colaborado em tornar tudo o que viveram nesse tempo tão especial.
Redação: Kamilly Rosa, Assistente de Comunicação
Revisão: Fernando Fiala, Editor de Conteúdo e Diretor de Projetos
28/10/2026 BRT
O conteúdo deste artigo é de responsabilidade de seus autores e não reflete necessariamente o posicionamento institucional da Dhesarme.




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