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Vozes Jovens pelo Desarmamento: As Experiências de Hevelyn Ghizzi e João Vitor Mercês no encontro regional sobre controle de munições no MERCOSUL

há 10 minutos
4 min de leitura
Hevelyn e João durante o evento El Marco Global de Municiones: Una agenda para el MERCOSUR. Acervo / Dhesarme
Hevelyn e João durante o evento El Marco Global de Municiones: Una agenda para el MERCOSUR. Acervo / Dhesarme

Entre os dias 5 e 6 de agosto de 2026, os jovens ativistas João Vitor Mercês, Assistente de Projetos da Dhesarme, e Hevelyn Ghizzi, Diretora Executiva da Dhesarme, participaram do evento El Marco Global de Municiones: Una agenda para el MERCOSUR, em Puerto Iguazú, Argentina. O encontro, organizado pela Asosiación para Políticas Públicas (APP), reuniu representantes de governos, organismos internacionais, especialistas e organizações da sociedade civil para discutir a implementação do Marco Global de Munições na região, com debates sobre a gestão das munições durante todo o seu ciclo de vida, prevenção de desvios e tráfico ilícito, identificação e rastreamento. 


Em uma oportunidade de atuar pelo ativismo e advocacy na prática, os jovens puderam acompanhar de perto ricos debates sobre uma problemática tão cara às discussões de cooperação e segurança regional na América Latina. Ademais, destaca-se como a localização do próprio evento representa um marco simbólico aos esforços de cooperação e integração regional em matéria de segurança, tendo ocorrido na Região Trinacional do Iguaçu. 


“Foi uma honra poder estar presente em meio a tantos especialistas e representantes de diversos governos latino-americanos que trabalham com o tema do controle de armas e munições. Essa não é uma oportunidade que se vê todo dia, e poder participar foi incrível.” Compartilhou o jovem ativista João Vitor. 

Para a Diretora Executiva da Dhesarme, o encontro simboliza um importante passo para a atuação da organização no tema por refletir uma aproximação entre a agenda do controle e rastreamento de munições e a realidade da região transfronteiriça, conformada pela chamada tríplice. 


“Para nós, enquanto organização da sociedade civil brasileira, foi uma oportunidade de apresentar o trabalho que desenvolvemos em produção de conhecimento, ativismo e incidência política, além de fortalecer os vínculos com organizações e pessoas que atuam com o tema em outros países do MERCOSUL.” Comentou Hevelyn.

O evento suscitou nos jovens reflexões acerca da importância da implementação do Marco Global de Munições de forma regional como ferramenta para tratar os desafios transfronteiriços na gestão e no rastreamento de munições. A cooperação regional, nesse sentido, demonstra seu potencial no enfrentamento de problemas estruturais relacionados ao controle de munições, representando um novo meio de articulação para a sociedade civil organizada.


“A mensagem é clara: a união faz a força. Uma ideia que os Estudos para a Paz nos faz refletir como integração humana, a ideia de que a segurança não se faz individualmente, se faz coletivamente.” Afirmou João Vitor.

Hevelyn, João e outros representantes durante o evento El Marco Global de Municiones: Una agenda para el MERCOSUR. Foto: APP
Hevelyn, João e outros representantes durante o evento El Marco Global de Municiones: Una agenda para el MERCOSUR. Foto: APP

Além disso, destacou-se como, durante a participação no evento, as perspectivas de gênero e raça foram inseridas no espaço de discussão, pautas que, em muitos casos, sofrem com a invisibilização em mesas de debate sobre segurança. Apesar do progressivo protagonismo da juventude nesses espaços representar um avanço na abrangência dos debates, assimetrias na representação de questões como raça e gênero não podem ser ignoradas, visto que são marcadores indispensáveis para a análise da problemática da violência armada e do controle de armas. 


É nesse sentido que ser um jovem ativista pelo desarmamento hoje, para João, significa mais que simplesmente promover a regulação e o controle de armas, mas entender o fenômeno cultural que existe no armamentismo, onde em que se cria uma relação simultânea de segurança e insegurança:


“Assim como em outras áreas do desarmamento, o controle de armas representa um esforço quase permanente na vontade de lutar por um mundo menos violento.” Comenta João Vitor

Por sua vez, Hevelyn complementa ao destacar a importância da produção de conhecimento sobre temas tão relevantes à segurança civil; por isso, é necessário que a sociedade civil latino-americana ocupe esses espaços e demonstre sua preocupação com a promoção de uma agenda pelo controle de armas. 


“Nem sempre temos todas as respostas, mas podemos fazer perguntas importantes, produzir conhecimento e construir pontes entre diferentes atores.” Complementa Hevelyn.

Como mensagem geral, os jovens ativistas destacam a necessidade e a importância de mais vozes jovens na luta pelo desarmamento humanitário:

 

“Não tenham medo de começar. O desarmamento humanitário pode parecer uma área muito distante ou extremamente técnica no início, mas existem muitas possibilidades de participação. O ativismo também pode assumir diferentes formas. Pesquisa, comunicação, incidência política, organização de eventos, produção de conhecimento e participação em espaços internacionais são maneiras diferentes de contribuir. E, principalmente, procurem outras pessoas e organizações que já trabalham com esses temas. A construção coletiva é uma parte muito importante desse trabalho.” Afirma Hevelyn.
“As mais diversas dificuldades para a aplicação de normas que limitem a violência por meio do controle de armas não são novidade para aqueles que lutam por um mundo menos bélico e militarizado. Apesar dos apesares, nossos pequenos esforços se traduzem em uma grande diferença ao longo do tempo. Basta olhar para o passado, os avanços no controle de armas e munições impactaram e vêm impactando a quantidade de vidas que puderam ser salvas. É por isso que peço que façam, além da prática, um esforço imaginativo, mesmo com a grande quantidade de violência que existe no mundo de hoje, de um mundo menos violento. Já imaginaram o que seria do mundo sem normas que controlem o fluxo de armamentos e munições?” Finaliza João Vitor.
Hevelyn, João e outros representantes durante o evento El Marco Global de Municiones: Una agenda para el MERCOSUR. Foto: APP
Hevelyn, João e outros representantes durante o evento El Marco Global de Municiones: Una agenda para el MERCOSUR. Foto: APP

Redação: Kamilly Rosa, Assistente de Comunicação

Revisão: Fernando Fiala, Editor de Conteúdo e Diretor de Projetos

03/10/2026 BRT


O conteúdo deste artigo é de responsabilidade de seus autores e não reflete necessariamente o posicionamento institucional da Dhesarme.

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