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Vozes Jovens pelo Desarmamento: A Experiência da ativista Maria Magalhães na 22ª Reunião dos Estados Partes do Tratado de Erradicação de Minas Terrestres 2025

  • 30 de mar.
  • 3 min de leitura
Dhesarme / 2025
Dhesarme / 2025

Entre os dias 1 e 5 de dezembro, Maria Clara de Magalhães, membro da Dhesarme, participou do “22º Encontro de Estados Partes do Tratado de Erradicação de Minas Terrestres”, em Genebra. 


Nessa entrevista a jovem ativista compartilhou conosco o vivido em 5 dias no Palácio das Nações, destacando suas realizações e sublinhando os desafios de eventos como esse, assim como os impactos em sua formação como jovem ativista: 


“Um momento muito emocionante foi perceber até onde o nosso trabalho, enquanto atores da sociedade civil, pode chegar. Dava para ver a nossa importância naquele espaço, e mostrou que podemos sim, ser agentes de mudança.”  

Nesses dias, Maria teve uma agenda repleta de reuniões de mentoria, treinamentos de advocacy, abordagem de delegações com várias palestras e encontros com membros de outras organizações que contribuíram para sua formação. Além da oportunidade de conhecer outros jovens ativistas, que, em diferentes áreas de atuação, servem como inspiração na continuidade de sua trajetória de ativismo pelo Desarmamento Humanitário, especialmente de Minas Terrestres. 


“Foi muito além do que eu imaginava. Estar nas Nações Unidas já é, por si só, algo muito emocionante - foi a realização de um sonho -, mas tudo o que vivemos ao longo da semana foi ainda mais especial, e enriquecedor para a minha formação como ativista” 

Maria ressaltou também que a Reunião foi uma experiência desafiadora. Considerando o cenário atual, ver países se retirando do Tratado ou solicitando sua suspensão de forma ilegal enquanto eram apresentados a atualização de dados alarmantes, os quais demostram que as vitimas de Minas Terrestres são, em 90% dos casos, civis e crianças, evidenciou para a mesma as contradições de discursos que, ao gerar efeitos em cadeia, fazem por desmantelar um processo construído com tanto esforço. 


“Embora afirmem se preocupar com a proteção de civis, muitas vezes apenas a simulam. Alguns desses países chegam, inclusive, a declarar que não pretendem utilizar minas terrestres em seus conflitos, o que torna ainda mais irônica sua retirada.”
Dhesarme / 2025
Dhesarme / 2025

Quando questionada sobre como é ser uma jovem ativista pelo desarmamento das Minas Terrestres atualmente, Maria destaca que, apesar de tantos desafios, avanços importantes vêm acontecendo.

A participação da sociedade civil nesses espaços demontra avanços significativos, porém, o contexto atual, permeado por cortes de financiamento, impacta diretamente as coalizões e suas indispensáveis ações, como a desminagem e a educação sobre riscos, dificultando um marco tão essencial para a proteção de civis em todo o mundo. Uma equação que tem como único resultado possível o aumento de vítimas, a recorrência ao deslocamento forçado e o enfraquecimento das tentativas de manutenção da segurança de crianças, fortemente afetadas pela indiscriminalidade de tal armamento.


Na contramão de qualquer pessimismo, novas adesões ao Tratado – como as do Reino de Tonga e das Ilhas Marshall –, movimentos positivos de países como a Micronésia e o Líbano mostram que o Desarmamento Humanitário segue sendo uma agenda relevante e urgente. 


Maria finaliza com um chamado à ação:

“Minha mensagem para outros jovens e ativistas é que o nosso papel nunca foi tão necessário. Em 2025, ano em que o mundo esperava estar livre de minas terrestres antipessoal, ainda estamos longe dessa realidade. Seguimos enfrentando desafios significativos para conter seu uso, garantir o cumprimento das obrigações do Tratado e, sobretudo, proteger as pessoas dos seus impactos. Diante de um cenário em que cerca de 90% das vítimas são civis e metade são crianças, não há tempo nem espaço para desmobilização. Pelo contrário, esse é um chamado urgente para fortalecer o compromisso e a ação coletiva. Cada voz importa, cada iniciativa conta, e a atuação dos jovens tem um potencial transformador enorme. É fundamental que jovens ao redor do mundo se engajem, pressionem e incentivem seus países - especialmente aqueles que ainda não são signatários - a aderirem ao Tratado. Da mesma forma, é essencial mobilizar resistência frente a retrocessos, como a retirada de Estados já comprometidos”

Redação: Kamilly Rosa

Revisão: Fernando Fiala

30/03/2026 BRT


O conteúdo deste artigo é de responsabilidade de seus autores e não reflete necessariamente o posicionamento institucional da Dhesarme.

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