Vozes Jovens pelo Desarmamento: A Trajetória de Monalisa Hazarika, Research and Strategic Engagement Officer da SCRAP Weapons
- 25 de fev.
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Nesta entrevista, a Dhesarme teve o prazer de trazer a brilhante Monalisa Hazarika, jovem ativista Indiana, para compartilhar conosco sua trajetória até seu atual cargo como Research and Strategic Engagement Officer da SCRAP Weapons, na Universidade SOAS de Londres.
In This interview, Dhesarme had the pleasure to bring to the Young Voices for Disarmament the brilliant Monalisa Hazarika, a young Indian activist who shared with us part of her journey leading to her current role as Research and Strategic Engagement Officer of the SCRAP Weapons at SOAS University of London.
Monalisa cresceu em Guwahati, no Nordeste da Índia, uma região geoestrategicamente sensível que faz fronteira com países como China, Butão, Mianmar, Nepal e Bangladesh. Tendo crescido em uma região marcada pela presença de grupos insurgentes, tráfico ilícito de armas e narcóticos e redes de crime organizado, ela relembra notícias recorrentes de um cenário onde a violência armada e a cultura de impunidade afetam comunidades por décadas. Nesse contexto, Hazarika logo passou a compreender sobre como a proliferação ilícita de armas pequenas e leves (SALW) impactam e comprometem diretamente a segurança humana e o desenvolvimento sustentável.
Em 2022, sua trajetória formal como ativista começou de fato quando foi selecionada pelo #Leaders4Tomorrow do Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (UNODA). Na época estudante de mestrado, no início de sua jornada nas relações internacionais e na diplomacia, Monalisa ampliou sua perspectiva sobre o papel transformador da juventude nas agendas de segurança e construção da paz, momento onde desenvolveu a iniciativa educacional online “Across the Chicken Neck”, em homenagem à sua terra natal. O projeto promoveu educação para o desarmamento entre jovens, com atenção especial às comunidades indígenas, conectando desarmamento, não proliferação e controle de armas a temas como gênero, raça, mudança climática, conflitos armados e tráfico ilícito. A experiência de liderar e implementar a iniciativa consolidou sua decisão de seguir carreira na área.
Desde então, a ativista continuou com iniciativas como a “Leaders2Future” e seu papel como Campeã Juvenil da ONU para o Desarmamento. Monalisa afirma que cada experiência reforçou seu comprometimento pelo desarmamento através da pesquisa, do advocacy e do engajamento político inclusivo. Ademais, a jovem ativista diz sempre se recordar das palavras da Izumi Nakamitsu – alta representante para Assuntos de Desarmamento da ONU:
“Não há nada de pequeno ou leve nas armas pequenas e ligeiras, e quando o Estado de direito é substituído pelo cano de uma arma, há poucas oportunidades de recuperação e reconstrução.”
Quando questionada sobre como é ser uma ativista pelo desarmamento hoje, Hazarika respondeu que não requer só paixão, mas também resiliência para continuar mantendo essa paixão ao longo do tempo. Disse também, que a criatividade é uma das chaves e que os jovens nessa área normalmente precisam desempenhar várias funções de forma fluida e simultânea, uma adaptação que não é acidental, mas que reflete a natureza evolutiva e interdisciplinar do trabalho com desarmamento.
“Nos últimos cinco anos trabalhando nesta área, passei a valorizar o nível de pensamento estratégico, coordenação e esforço contínuo necessários para manter a eficiência e, ao mesmo tempo, equilibrar essas responsabilidades”
A jovem ativista também compartilhou um pouco sobre os desafios desse trabalho que, em sua perspectiva, são estruturais e institucionais, afetando tanto a participação quanto o engajamento a longo prazo. Ainda que exista uma crescente na participação da juventude nos fóruns internacionais, a tomada de decisão ainda é limitada pela existência de uma lacuna entre reconhecimento e influência, além de um curto apoio e acesso a recursos institucionais.

Hazarika nos contou sobre sua participação como painelista na Reunião de Alto Nível Conjunta da Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGA) e do ECOSOC sobre o controle de armas pequenas e leves para prevenção da violência e promoção do desenvolvimento sustentável, e como esse evento foi marcante em sua trajetória. No debate, a jovem destacou a “destruição individual” causada pelas SALW e suas conexões com o crime organizado, o terrorismo, a desigualdade de gênero e as violações de direitos humanos, além de enfatizar a importância de se trabalhar não apenas para a juventude, mas com a juventude, fazendo desta parte interessada igualitária nos processos de decisão, sendo reconhecida por Philemon Yang, Presidente da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, e por Adedeji Ebo, que reforçaram a necessidade de integrar o controle de SALW às agendas de segurança e desenvolvimento, incorporando perspectivas juvenis aos processos de desarmamento.
Como mensagem final, a jovem ativista Monalisa Hazarika disse:
“Os jovens devem envolver-se no desarmamento humanitário porque a história e a política estão sendo escritas em tempo real, com ou sem a nossa contribuição. Podemos optar por permanecer como espectadores ou fazer um esforço deliberado para moldar um futuro mais seguro e humano. As nossas vozes, competências e persistência são importantes. As nossas perspetivas, criatividade e resiliência trazem urgência e responsabilidade aos debates sobre o desarmamento. O espaço está aberto, entre nele, mantenha-se envolvido e ajude a construir o mundo que iremos herdar.”
Redação: Kamilly Rosa
Revisão: Fernando Fiala
25/02/2026 BRT
O conteúdo deste artigo é de responsabilidade de seus autores e não reflete necessariamente o posicionamento institucional da Dhesarme.




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