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Armas autonômas

Desde o início do século XXI, o uso de veículos armados não tripulados e os avanços tecnológicos têm levado pesquisadores e organizações a buscar desenvolver sistemas de armas autônomas. Tais armas serão capazes de mirar e atirar em alvos sem nenhuma intervenção humana, sendo verdadeiros robôs assassinos e trazendo novos desafios jurídicos e humanitários.

Problema

Substituir tropas humanas por máquinas poderá tornar a decisão de fazer guerra mais fácil. Robôs não possuem a capacidade de julgamento humano necessária para analisar situações complexas, distinguir entre civis e combatentes e avaliar a proporcionalidade de um ataque, como exigido pelo direito internacional humanitário.

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O uso de armas autônomas dificultará também a identificação do responsável pelos ataques, já que não é claro quem será jurídicamente responsável pelas ações do robô: o comandante, o programador, a empresa fabricante ou o próprio robô. Tudo isso deixará a população civil mais vulnerável, haja vista a maior facilidade de ir à guerra e a falta de incentivos para cumprir normas do direito da guerra.

campanha

A Stop Killer Robots (Campanha contra Robôs Assassinos) foi criada em 2013 com o objetivo de banir preventivamente as armas letais autônomas. Ela é uma coalizão global formada por mais de 60 organizações presentes em 26 países.

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A Stop Killer Robots advoga pela inclusão desse tema nos foros de discussão internacionais e para que os países trabalhem pelo banimento total das armas letais autônomas, levando em consideração as consequências éticas, legais, políticas e técnicas do uso dessas armas. Além disso, ela representa setores da sociedade civil nas conferências diplomáticas internacionais ocorridas no âmbito da ONU.​

solução

O único modo de evitar que máquinas tomem decisões sobre ataques de guerra e garantir a proteção dos civis é através de um banimento preventivo e total do desenvolvimento, produção e uso de armas letais autônomas. Isso pode ser alcançado através de um tratado internacional ou através de medidas nacionais adotadas pelos Estados individualmente.

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Permitir que decisões de guerra sejam tomadas por máquinas autônomas ultrapassa limites éticos e morais. O controle humano sobre qualquer arma de combate é essencial para garantir o respeito aos princípios humanitários e a responsabilidade jurídica efetiva.

 

Em 2013, o Relator Especial da ONU sobre execuções sumárias, arbitrárias ou extra-judiciais, Professor Christof Heyns, publicou um relatório sobre armas letais autônomas, recomendando todos os Estados a: i) estabelecer uma moratória sobre essas armas, ii) se comprometer em respeitar as normas de direito internacional humanitário, iii) ser transparentes quanto a seus programas de armas autônomas, e iv) participar no debate internacional sobre o assunto. Cumprir tais recomendações é um bom começo para tratar esses novos desafios.

e o brasil?

O Brasil tem sido um defensor ativo da regulação internacional dos sistemas de armas autônomas letais. Participa regularmente das reuniões da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CCW) e apoia a criação de um instrumento legalmente vinculante sobre o tema. Em 2024, o Brasil co-patrocinou e votou a favor da Resolução L.77 na 79ª Assembleia Geral da ONU, que reconhece os riscos à segurança global e regional desses sistemas e destaca a importância do controle humano no uso da força, em conformidade com o direito internacional. O país também apoiou a Resolução 78/241 da ONU, que solicitou um relatório do Secretário-Geral sobre os desafios éticos, legais, humanitários e tecnológicos das armas autônomas.

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Desde 2020, o Brasil tem reiterado sua posição clara a favor de um instrumento jurídico que assegure o controle humano significativo sobre funções críticas desses sistemas. O país alerta que o rápido avanço tecnológico pode superar os esforços diplomáticos e comprometer os direitos humanos, o direito internacional humanitário e a dignidade humana. Em suas declarações, o Brasil também ressaltou que, embora a inteligência artificial possa processar grandes volumes de dados e oferecer apoio à tomada de decisões, ela também aumenta riscos de imprevisibilidade, viés e escalada de conflitos, exigindo regulação urgente.

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