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Vozes Jovens pelo Desarmamento: A Experiência de Júlia Marcon no Nuclear Politics Summer Program 2026

  • há 8 horas
  • 5 min de leitura
Dhesarme / 2026
Dhesarme / 2026

Entre os dias 8 e 12 de junho, Júlia Marcon, Diretora de Comunicação da Dhesarme, participou do Nuclear Politics Summer Program 2026, organizado pelo Soka Institute for Global Solutions (SIGS), na Soka University of America (Aliso Viejo, California). A Soka University of America é uma universidade de artes liberais que possui a missão de formar cidadãos globais comprometidos com uma vida contributiva, com base nos valores da paz, dos direitos humanos e da dignidade da vida. A universidade promove uma educação centrada no estudante, incentivando o pensamento crítico, o diálogo aberto e a diversidade.


O Nuclear Politics Summer Program 2026 reuniu 15 estudantes de graduação e pós-graduação de 8 países (como Paquistão, Itália, Bangladesh e Argentina) e 10 universidades, com o objetivo de formar uma rede internacional de jovens comprometidos em buscar soluções práticas para os desafios relacionados às armas nucleares. A partir de palestras, rodas de conversa e cine-debates, o programa buscou analisar criticamente questões de desarmamento e não proliferação sob perspectivas teóricas, jurídicas e históricas, discutindo os principais desafios e oportunidades para a construção de um mundo livre de armas nucleares. Durante uma semana, foi incentivado para além do conteúdo teórico o desenvolvimento de propostas de ação em níveis local e regional, além de fortalecer habilidades de liderança, trabalho em equipe e cooperação internacional.


“O que mais apreciei no programa foram as pessoas e a atmosfera em geral. Todos foram incrivelmente acolhedores, prestativos e dispostos a participar de conversas muitas vezes sensíveis e complexas, mas necessárias. Além disso, tivemos a oportunidade de passar a semana morando no campus da universidade, que possui uma ótima estrutura, o que foi ótimo para que os participantes pudessem construir um senso de comunidade e se conhecerem melhor.”

Participantes do Nuclear Politics Summer Program 2026 / Soka University of America
Participantes do Nuclear Politics Summer Program 2026 / Soka University of America

Contando sobre os pontos mais chamativos desta experiência, Júlia destacou a riqueza da multiculturalidade presente no programa, fazendo do aprendizado um espaço de valorização às diferenças e à diversidade:

“Vindo de uma perspectiva de desarmamento humanitário, foi particularmente interessante interagir com participantes cujas visões estavam mais enraizadas nos estudos estratégicos e de segurança. Um dos aspectos mais gratificantes do programa foi observar como esses participantes se tornaram mais abertos a considerar perspectivas humanitárias sobre as armas nucleares, em um período de 4 dias. Foi ótimo ver como uma grande mudança no pensamento pessoal e profissional de várias pessoas ocorreu em menos de uma semana e isso me fez pensar muito sobre como realmente podemos fazer com que mais pessoas passem a conhecer mais sobre os impactos humanitários de armas nucleares e passar a considerá-los em discussões sobre não proliferação e desarmamento nuclear. Me senti verdadeiramente esperançosa e motivada a continuar realizando atividades de produção de conhecimento na Dhesarme, como o Curso de Introdução ao Desarmamento Humanitário e o Grupo de Estudos. Atividades como essas são fundamentais para tentar alcançar essa mudança no pensamento de futuros políticos, diplomatas, médicos e engenheiros.

Dhesarme / 2026
Dhesarme / 2026

Ela trouxe ainda uma perspectiva sobre suas expectativas e percepções em sua jornada como ativista pelo Desarmamento Humanitário, destacando os desafios inerentes à mobilização da sociedade civil organizada em um contexto no qual o mundo nunca esteve tão próximo dos riscos nucleares desde a Guerra Fria. Júlia compartilha como, apesar das reconhecidas ameaças, a minimização destas nos debates sobre segurança internacional são causa de um inevitável desânimo, ainda mais quando os possíveis impactos humanitários do uso e dos testes de armas nucleares são postos como exagerados ou até “emocionais". Um cenário que preocupa pela infeliz insistência em um pensamento securitário de que a soberania dos Estados, bem como a lógica da dissuasão nuclear, figuram acima dos pilares da segurança humana e dos esforços de desarmamento e não proliferação.


“Os processos de advocacy, ativismo e produção de conhecimento são cansativos, exigem tempo, dedicação e recursos financeiros e, muitas vezes, são desacreditados ou não resultam em mudanças práticas imediatas. É um desafio diário. Ao mesmo tempo, participar de programas como este renova minhas energias para continuar trabalhando na área. Ouvir jovens ativistas comprometidos com o tema, conhecer seus projetos e poder discutir os impactos humanitários das armas nucleares em um ambiente de respeito e escuta reforça minha paixão por essa pauta e minha motivação para seguir atuando nela. Além disso, construir espaços onde possamos pensar coletivamente em alternativas e estratégias de ação é algo realmente inspirador. Esses encontros mostram que, apesar das dificuldades, existe uma comunidade global comprometida em promover mudanças e construir um futuro mais seguro e justo.”

Quando questionada sobre os desafios enfrentados pela juventude engajada no ativismo pelo Desarmamento Humanitário, Júlia ressalta entraves relativos ao reconhecimento, representação e recursos:


“Acredito que uma das principais dificuldades enfrentadas por jovens ativistas no campo do desarmamento seja a falta de credibilidade que frequentemente nos é atribuída. Apesar de realizarmos um trabalho de alta qualidade, produzirmos conhecimento, conduzirmos campanhas e mobilizarmos comunidades, muitas vezes somos excluídos dos espaços de tomada de decisão ou convidados apenas para uma participação simbólica. Além disso, percebo que as organizações que atuam com desarmamento enfrentam, de forma geral, sérios desafios relacionados à captação de recursos financeiros. Para organizações lideradas por jovens, esse desafio é ainda maior.

Depois de uma semana de grande aprendizado e de conexões por um mundo mais pacífico, justo e, principalmente, livre de armas nucleares e seus efeitos irreparáveis, a jovem ativista deixa uma mensagem a outros jovens ativistas que, assim como ela, acreditam na mudança.


“Apesar de todos os desafios que enfrentamos, a juventude continua trazendo novas perspectivas, criatividade e formas inovadoras de advocacy que são essenciais para avançar as discussões sobre desarmamento nuclear. Os negociadores e tomadores de decisão precisam dessa energia e desse engajamento, então nunca se esqueçam do valor que vocês têm. O desafio é garantir que essas contribuições sejam reconhecidas e que jovens tenham acesso não apenas aos espaços de escuta, mas também aos recursos necessários para transformar suas ideias em ações concretas. Temos um caminho longo pela frente, mas, em vez de enxergá-lo como uma porta fechada, podemos vê-lo como um objetivo a ser alcançado. Trabalhar em rede, compartilhar experiências, sonhos, ideias e até frustrações com outros jovens é fundamental. Nenhuma mudança acontece sozinha. Juntos, podemos fortalecer nossas vozes e construir um movimento mais diverso, representativo e capaz de promover transformações reais.

Agradecimentos

“O Nuclear Politics Summer Program 2026 foi uma experiência excepcional. Sou extremamente grata pela oportunidade de participar, por tudo o que aprendi e por todas as pessoas que tive a chance de conhecer. Agradeço especialmente a todos os jovens que conheci, pelos momentos de troca e acolhimento e, em especial, aos organizadores do evento que deram tudo de si para construir esse espaço de troca de conhecimento. Gostaria de agradecer também aos meus colegas da Dhesarme. Participei do programa como uma pessoa, mas estava representando todos vocês, que diariamente dividem o sonho de um mundo mais seguro comigo. Trabalhar com vocês é uma das maiores honras da minha vida.

Redação: Fernando Fiala

Revisão: Júlia Marcon

30/06/2026 BRT


O conteúdo deste artigo é de responsabilidade de seus autores e não reflete necessariamente o posicionamento institucional da Dhesarme.

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