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Vozes Jovens pelo Desarmamento: A Experiência de Giovanna Rezende na Convenção sobre Munições Cluster

  • há 4 horas
  • 4 min de leitura
Giovanna em frente ao Palácio das Nações Unidas, Genebra. Acervo / Dhesarme
Giovanna em frente ao Palácio das Nações Unidas, Genebra. Acervo / Dhesarme

Entre os dias 16 e 19 de setembro de 2025, a Vice-Diretora Executiva da Dhesarme, Giovanna Rezende, participou da 13ª Reunião de Estados Partes (13MSP) da Convenção sobre Munições Cluster (CCM) em Genebra, na Suíça. Esta foi a quarta reunião formal da Convenção após a adoção do Plano de Ação de Lausanne, um roteiro de cinco anos (2021–2026) para que os Estados Partes avancem em direção à plena universalização e implementação da Convenção.


Sobre esses dias da 13ª Reunião, a jovem ativista relata uma semana de oportunidades incríveis, que foram além do acompanhamento das discussões entre os Estados presentes. Giovanna destacou, sobretudo, a chance de se reunir com organizações da sociedade civil e internacionais, com órgãos das Nações Unidas e com organizações que trabalham diretamente com a desminagem.


A principal atividade foi voltada à importância do Relatório de Transparência, em que jovens ativistas tiveram o espaço para atuar ressaltando, aos representantes, a necessidade de atualização dos dados, os quais refletem diretamente o comprometimento dos Estados com o tratado. Um trabalho essencial para o acompanhamento do status da Convenção e para que organizações doadoras tenham melhor controle sobre o andamento dos compromissos de cada Estado, além de auxiliar no preenchimento do relatório.


Giovanna lê declaração da Clustewr Munition Coalition durante a 13MSP. Acervo / Dhesarme
Giovanna lê declaração da Clustewr Munition Coalition durante a 13MSP. Acervo / Dhesarme

Durante a reunião, Giovanna destacou a oportunidade de ler uma declaração em nome da Cluster Munition Coalition (CMC) como um dos momentos mais marcantes de toda sua experiência:


“Estar naquela sala, com delegações de mais de cem países, e ter voz, foi transformador.

Em uma experiência de contato próximo com delegações de Estados que lidam diretamente com a problemática das munições cluster, Giovanna relatou o caso específico de Angola e o processo de ratificação do tratado no país, que sofre com baixo orçamento para concluir a limpeza de regiões contaminadas por artefatos explosivos.


As barreiras que as crises no financiamento das atividades representam para a execução dos propósitos da Convenção não afetam somente a possibilidade prática de descontaminação de áreas afetadas, mas também a participação efetiva da sociedade civil, com destaque para os jovens ativistas, na luta pela proibição das munições cluster. 


Giovanna durante a 13MSP em Genebra, Suiça. Acervo / Dhesarme
Giovanna durante a 13MSP em Genebra, Suiça. Acervo / Dhesarme

A jovem ativista diz ainda ter visto os verdadeiros obstáculos do desarmamento em Genebra. A co

meçar pelo acesso, que somente lhe foi possível pelo financiamento da organização internacional e coalizão parceira da Dhesarme, Mines Action Canada, que também vem diminuindo devido aos cortes orçamentários que programas de apoio à sociedade civil têm sofrido.


Ela cita como exemplo a problemática enfrentada pelo Laos, país profundamente afetado pela contaminação de munições cluster em seu território e que, neste ano, sediará a Terceira Conferência de Revisão da Convenção sobre Munições Cluster. O país sofreu em 2025 com a redução de verba de um programa de desminagem financiado pelos Estados Unidos, corte que prejudicou as iniciativas de reabilitação e redução de riscos para a população civil.


Giovanna reconhece essas dificuldades de financiamento e acrescenta, ainda, a questão da baixa internalização das disposições definidas pela Convenção no no ordenamento jurídico interno dos países, traçando um cenário de apenas 33 Estados Partes que contam com legislação nacional específica para criminalizar o uso, a produção e a transferência de munições cluster em seus territórios:


“Sem financiamento estável e sem marcos legais internos, a estigmatização da arma no papel não se traduz em proteção real para quem vive em áreas contaminadas.”

Para a jovem, ser uma ativista pelo desarmamento humanitário hoje é atuar na contramão de um mundo que está se rearmando. Mesmo assim, Giovanna reafirma a importância dessa atuação, principalmente ao olhar para o futuro.


“As submunições ainda presentes no solo hoje vão matar e mutilar crianças daqui a vinte anos. Os tratados que não forem ratificados agora vão criar lacunas que futuras gerações herdarão. As decisões tomadas nessas salas em Genebra têm consequências que atravessam décadas, e os jovens são os que mais vão viver essas consequências.
Giovanna e outros jovens ativistas durante a 13MSP. Acervo / Dhesarme
Giovanna e outros jovens ativistas durante a 13MSP. Acervo / Dhesarme

Durante sua experiência em Genebra, a jovem fez um exercício com outros ativistas, questionando-os sobre o papel da juventude na agenda do desarmamento humanitário. As respostas refletiram, segundo Giovanna, a força da juventude como fonte de inovação e energia essenciais para mobilizar a opinião pública e renovar o entusiasmo em torno dos avanços da implementação dos tratados como forma de garantir a continuidade da luta:


“A juventude não é apenas herdeira das normas de desarmamento, mas protagonista ativa em sua consolidação e avanço.”

Depois de dias tão enriquecedores, a jovem ativista Giovanna Rezende destaca acreditar que há espaço para todos aqueles que querem se engajar na luta por um mundo mais pacífico e livre de armas indiscriminadas. O comprometimento é a chave e a certeza de que cada iniciativa faz a diferença prova que, mesmo em meio a tanta resistência à mudança, cada jovem que ocupa um espaço nessas negociações mostra que o presente pode ser herdado, mas o futuro pode ser transformado pela juventude. 


“Se você está pensando em se engajar nessa pauta, saiba que há espaço para você, mesmo que seu país ainda não seja signatário de nenhum tratado, mesmo que sua organização seja pequena, mesmo que você ainda esteja na graduação. Eu estava em todas essas condições quando embarquei para Genebra. O que nos levou até lá não foi perfeição ou grandeza, foi comprometimento. E o que nos mantém nessa agenda, mesmo diante dos retrocessos, é a certeza de que cada conversa importa, cada relatório submetido representa uma obrigação cumprida, e cada jovem que ocupa um espaço nessas negociações é uma prova de que o futuro não vai apenas herdar esse mundo: ele vai transformá-lo.
Giovanna durante apresentação do Cluster Munition Monitor 2025 na 13MSP. Acervo / Dhesarme
Giovanna durante apresentação do Cluster Munition Monitor 2025 na 13MSP. Acervo / Dhesarme

Redação: Kamilly Rosa

Revisão: Fernando Fiala

31/08/2026 BRT


O conteúdo deste artigo é de responsabilidade de seus autores e não reflete necessariamente o posicionamento institucional da Dhesarme.

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