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GDAMS 2026: o que dizem os US$ 2,8 trilhões destinados a gastos militares em 2025 

  • há 9 horas
  • 4 min de leitura
Foto: Acervo / Dhesarme / WILPF Brasil
Foto: Acervo / Dhesarme / WILPF Brasil

Chegando ao fim dos Dias Globais de Ação contra os Gastos Militares (GDAMS), ação ocorrida entre os dias 10 de abril e 9 de maio que reflete os impactos da militarização no mundo, percebe-se como esta, ao criar um imaginário de “eficiência” da violência como linguagem política na resolução de conflitos, se faz uma máquina que tem como combustível a insegurança que gera, um ciclo infindável de violência e destruição dos maiores bens da humanidade.

 

Esta “filosofia da insegurança” se revela na realidade prática em uma engrenagem da militarização que, em 2025, de acordo com dados da Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), representou ao mundo US$2,8 trilhões de gastos militares, um aumento de 2,9% comparado ao ano anterior.


Desde a última década, é observado um acréscimo de 41% nos gastos militares globais, uma infeliz tendência que, vista como “avanço técnico” ou garantia de determinada segurança relativa, contrasta-se com os irreversíveis impactos dos conflitos armados à Sociedade Civil e ao Meio Ambiente no mundo, quantias exorbitantes que, canalizadas à guerra, agem em detrimento da sustentabilidade, vida e subsistência das sociedades humanas.


Figura: Gastos militares globais, por região, 1988 - 2025. Fonte: SIPRI
Figura: Gastos militares globais, por região, 1988 - 2025. Fonte: SIPRI

Os gastos militares de 2025 são 3.900 vezes o valor arrecadado pelo Programa de Emergências de Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2025) e 2.100 vezes o valor que a Cruz Vermelha arrecadou para operações em campo (CICV, 2025) no mesmo ano. O aprovado para 2025 e 2026 pela Organização das Nações Unidas para manutenção da paz no mundo (Nações Unidas, 2025) foi multiplicado em 530 para a militarização em 2025.


Também no ano passado, o Programa Alimentar Mundial arrecadou 750 vezes menos que os gastos voltados à violência, um valor que, na contramão do combate à insegurança alimentar ao redor do mundo, foi destinado a uma militarização que intensifica crises como as da fome, que, por sinal, se intensificou globalmente em decorrência das crises humanitárias em Gaza, Sudão e Mali.


São 1,9 milhão de pessoas à margem da fome e 348 milhões, em cerca de 74 países, sofrendo com insegurança alimentar aguda (Nações Unidas, 2024). Neste cenário, entre 7 e 21 mil pessoas morrem de fome todos os dias em países impactados por conflitos armados (Oxfoam International, 2024), inclusive, durante a leitura desta matéria.


O contexto apresentado não decorre da escassez ou da falta de recursos globais para garantir a dignidade humana perante direitos fundamentais, como a alimentação. Caso voltados a investimentos em setores como os da saúde, infraestrutura e educação, essa trágica realidade poderia se transformar.


Foto: Acervo / Dhesarme / WILPF Brasil
Foto: Acervo / Dhesarme / WILPF Brasil

Os gastos exponenciais em militarização não fizeram do mundo um lugar mais seguro na contemporaneidade, ao contrário, a cada ano demonstram o agravamento de tragédias humanitárias pelo mundo. A escolha da paz e a abdicação da guerra são imprescidíveis para que, ao invés das populações civis e este planeta, sejam combatidas as causas e as consequências dos próprios conflitos armados geradores da insegurança global, alimentada pelas armas compradas para, ironicamente, acabá-los, um ciclo incoerente que, ao invés de proporcionar caminhos para a verdadeira Paz, ameaçam o alcançado pela população civil na incessante mobilização por sociedades guiadas pela Paz e o respeito aos Direitos Humanos.


Nesse sentido, neste dia 9 a Dhesarme, em articulação com a campanha #MoveTheMoney, promovida pela Women's International League for Peace and Freedom (WILPF), realizou uma ação pública para refletir o impacto da militarização e o contraste entre os gastos militares e os investimentos à Paz. A atividade contou com a confecção de cartazes ativistas, exibidos no Campus Integração da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), assim como foram espalhadas cédulas simbólicas de conscientização e alerta dos gastos militares no Brasil. Confira mais informações no material de divulgação da campanha.



Fotos: Acervo / Dhesarme / WILPF Brasil


Diante disso a Dhesarme reitera a urgência sobre os gastos militares brasileiros, reconhecendo a latência de uma política externa pautada pelo comprometimento com o estabelecido à luz do Direito Internacional Humanitário e pela diplomacia, onde a dignidade humana e a proteção das populações civis sejam o norte das políticas de Segurança.


Redação: João Vitor Mercês

Revisão: Fernando Fiala


Referências

International Committee of the Red Cross. ICRC appeals and operations 2025. Genebra: CICV, 2025. Disponível em: https://www.icrc.org/en/article/icrc-appeals-operations-2025. Acessado em 7 maio 2026.


Oxfoam International. Up to 21,000 people are dying each day from conflict-fuelled hunger around the world. Nairóbi: Oxfoam International, 2024. Disponível em: https://www.oxfam.org/en/press-releases/21000-people-are-dying-each-day-conflict-fuelled-hunger-around-world. Acesso em 7 maio 2026.


Stockholm International Peace Research Institute. Trends in World Military Expenditure, 2025. Estolcomo: SIPRI, 2026. Disponível em: https://www.sipri.org/sites/default/files/2026-04/2604_milex_2025.pdf. Acesso em 7 maio 2026.


United Nations. $5.4 billion UN peacekeeping budget approved for 2025-2026. Nova Iorque: Nações Unidas, 2025. Disponível em: https://www.un.org/en/delegate/54-billion-un-peacekeeping-budget-approved-2025-2026 Acesso em 7 maio 2026.


United Nations. WFP requires $16.9 billion in 2025 as hunger reaches alarming highs. Nova Iorque: Nações Unidas, 2024. Disponível em: https://news.un.org/en/story/2024/11/1157336. Acesso em 7 maio 2026.


World Health Organization. WHO Health Emergencies: funding and priorities 2025. Genebra: OMS, 2025. Disponível em: https://cdn.who.int/media/docs/default-source/documents/emergencies/who-health-emergencies-funding-and-priorities-2025.pdf?sfvrsn=2273d4f8_3. Acesso em 7 maio 2026.

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