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GDAMS 2026: a Sociedade Civil organizada contra os Gastos Militares

  • há 1 dia
  • 5 min de leitura
Social Media Images GDAMS 2026. Ilustração: Valentina Maleza. Disponível em: https://demilitarize.org/resources/social-media-images-gdams-2026/
Social Media Images GDAMS 2026. Ilustração: Valentina Maleza. Disponível em: https://demilitarize.org/resources/social-media-images-gdams-2026/

Entre os dias 10 de abril e 9 de maio deste ano, ações coordenadas ao redor do mundo estão sendo realizadas no âmbito dos Dias Globais de Ação contra os Gastos Militares (GDAMS). Trata-se de uma iniciativa do International Peace Bureau (IPB), organizada pela Global Campaign on Military Spending (GCOMS).


A campanha ocorre anualmente desde 2011 e tem como objetivo  denunciar os gastos militares excessivos e pressionar governos a promoverem reduções significativas, redirecionando esses recursos para setores sociais e ambientais – diretamente impactados por esses investimentos. Os GDAMS estimulam a mobilização da Sociedade Civil em nível internacional, fortalecendo o movimento global pela paz.


Entre as datas-chave da programação dos GDAMS, destacam-se o Dia de Declaração do Imposto de Renda nos Estados Unidos (Tax Day) (15/04), com eventos sobre o dinheiro arrecadado com impostos e sua relação com os gastos militares do país, o Dia da Terra (22/04), com articulações entre militarismo, mudanças climáticas e impactos ambientais, e, possivelmente o ponto mais alto da campanha, a divulgação do relatório anual sobre gastos militares pelo Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), prevista para o dia 27 de abril, referente ao ano de 2025.


Em 2024, por exemplo, de acordo com dados do SIPRI, os gastos militares globais atingiram um recorde de US$ 2,7 trilhões, com os Estados Unidos liderando o ranking, seguidos por China e Rússia. Para se ter uma ideia, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU, 2024) no relatório do Secretário-Geral sobre o impacto do aumento global dos gastos militares na conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, esses investimentos correspondem ao PIB de todos os países da África juntos.


Os investimentos militares têm contribuído diretamente para o cenário global recente, marcado pelo maior número de conflitos armados desde o fim da Segunda Guerra Mundial em uma conjuntura agravada pela transição de tais entraves dos campos de batalhas convencionais aos espaços urbanos e civis. Esse contexto levanta preocupações, não apenas quanto à intensificação e transformação dos conflitos contemporâneos, mas também de um crescente descaso pelo Direito Internacional Humanitário e  à promoção e manutenção da paz global. 


Nesse sentido, os orçamentos que estão sendo direcionados à militarização poderiam ser disponibilizados para áreas voltadas à promoção da paz, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, infraestrutura, justiça social e programas de ajuda humanitária. O elevado financiamento militar contribui não apenas com essa escassez de recursos em outras áreas como também colabora com a degradação delas.


Segundo o Conflict and Environment Observatory (CEOBS), se as forças armadas do mundo todo fossem um país, seriam o 4° maior emissor mundial de gases de efeito estufa, cuja pegada de carbono chega a 2.750 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente. Além disso, de acordo com o CEOBS (2022, p. 3),

Cerca de 60% de todas as emissões globais de gases de efeito estufa provêm de apenas dez países. São eles: China, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Rússia, Brasil, Japão, Irã, Canadá e Arábia Saudita. Todos esses países – com exceção da Indonésia – estão entre os 20 maiores países no que diz respeito aos gastos militares.

Mais do que isso, conflitos ativos, em razão da demanda industrial pela produção de armamentos, causam impactos ambientais relacionados à extração de recursos para fabricação de armamentos, deixam detritos de construções e comunidades arruinadas, assim como  remanescentes mecânicos e explosivos de armamentos utilizados, devastando o meio ambiente e a vida silvestre, num ciclo de efeitos duradouros sobre a natureza e as sociedades civis.


Além dos impactos ambientais, destacam-se os efeitos dos gastos militares sobre o desenvolvimento social. Se, por exemplo, apenas 4%, 5% ou 10% dos US$ 2,7 trilhões fossem redirecionados, seria possível acabar com a fome mundial, a desnutrição infantil e a extrema pobreza. Ademais, altos investimentos no setor militar significam menos investimentos em educação, saúde básica e crescimento econômico. Gastos militares são um dos principais fatores que intensificam a dívida pública, restringindo futuras perspectivas de desenvolvimento dos países. Caracterizam também uma barreira ao desenvolvimento econômico da população. Estima-se que US$ 1 bilhão em gastos militares criam menos oportunidades de trabalho do que outros setores civis, como educação, energia limpa e saúde, segundo a ONU (2024, p. 41). 


Em um contexto de múltiplas crises como a climática, social, econômica e humanitária, a manutenção e o aumento dos orçamentos militares revelam escolhas que privilegiam a lógica da guerra em detrimento da vida. Perante esta parcela apresentada dos impactos causados pela militarização, os GDAMS corroboram ao evidenciar a dimensão dos gastos militares e seus efeitos concretos sobre o meio ambiente, a Sociedade Civil e os Estados, buscando não apenas informar, mas também mobilizar.


A redução dos gastos militares e o redirecionamento desses recursos não são apenas desejáveis, mas necessários para a construção de sociedades mais justas, seguras e urgentes para a interrupção dos danos já causados às populações civis em todo o mundo por conflitos armados.


Para saber mais sobre como a Sociedade Civil pode se organizar, a Global Campaign On Military Spending criou, nos esforços para estender o alcance e impacto dos GDAMS, um Toolkit para auxiliar e incentivar atividades em combate aos gastos militares. O documento é um conjunto de ferramentas que, ao explicar os objetivos da campanha e seus momentos estratégicos, dá suporte e inspiração às mobilizações através de recursos para apoiar atividades da campanha, materiais práticos e modelos para organizar ações. Dentre as atividades propostas, o Toolkit as organiza por tempo demandado para execução, trazendo ações de conscientização e educação pública; campanhas digitais e midiáticas; manifestações e eventos públicos; engajamento político; petições e apelos públicos; ações criativas e culturais; ações econômicas e fiscais; formação de coalizões e ações em rede; monitoramento e prestação de contas.


Os GDAMS, portanto, atuam como um espaço de articulação, reivindicação e pressão por gastos conscientes, conectando organizações, movimentos e indivíduos ao redor do mundo em torno da defesa de alternativas baseadas em cooperação, justiça social e sustentabilidade. Desta forma, os GDAMS reforçam a ideia de que segurança não se constrói com armas, mas com investimento em direitos, dignidade e bem-estar coletivo.


Referências

COTTRELL, L.; PARKINSON, S.; DARBYSHIRE, E. Estimating Global Military GHG Emissions. CEOBS, 2022. Disponível em:<https://ceobs.org/wp-content/uploads/2022/11/SGRCEOBS-Estimating_Global_MIlitary_GHG_Emissions_Nov22_rev.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2026.


GLOBAL CAMPAIGN ON MILITARY SPENDING. Apelo GDAMS 2026: um apelo à ação contra a militarização global. GCOMS, 2026. Disponível em: <https://demilitarize.org/apelo-gdams-2026-%C2%B7-um-apelo-a-acao-contra-a-militarizacao-global/>. Acesso em: 10 abr. 2026.


INTERNATIONAL PEACE BUREAU. Global Campaign on Military Spending (GCOMS). IPB. Disponível em:<https://ipb.org/global-campaign-on-military-spending/>. Acesso em: 10 abr. 2026.


STOCKHOLM INTERNATIONAL PEACE RESEARCH INSTITUTE. SIPRI Military Expenditure Database. SIPRI, 2025. Disponível em:<https://www.sipri.org/databases/milex>. Acesso em: 10 abr. 2026.


UNITED NATIONS OFFICE FOR DISARMAMENT AFFAIRS. The Security We Need: SG Report. UNODA, 2023. Disponível em:<https://front.un-arm.org/Milex-SDG-Study/SG_Report_TheSecurityWeNeed.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2026.


Redação: Izadora Zocche

Revisão: Fernando Fiala


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