top of page
  • Instagram
  • X
  • TikTok
  • Youtube
  • LinkedIn
  • Whatsapp

Relatório revela danos causados por bases militares estrangeiras por todo o globo

  • Giovanna Rezende
  • 1 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

Um novo relatório da World BEYOND War revela que o número de bases militares utilizadas por forças estrangeiras está crescendo, assim como os protestos públicos e ações de advocacy contra essas instalações. Das 1.247 bases militares estrangeiras no mundo, 877 são bases dos Estados Unidos fora de seu território, de acordo com a contagem mais recente. Outros 18 países, somados, possuem 370 bases fora de suas fronteiras. Enquanto as bases norte-americanas estão distribuídas por 95 países, cobrindo praticamente todo o globo e cercando as fronteiras da Rússia e da China, o segundo país com mais bases estrangeiras, Turquia, concentra suas instalações próximas de seu próprio território, com exceção de uma base na Somália, sendo a maioria localizadas na Síria e no Iraque, onde o país está envolvido em operações militares. Durante as guerras dos EUA no Iraque e no Afeganistão, os norte-americanos abriram e depois fecharam centenas de bases.

Turquia e Estados Unidos são aliados na OTAN e parceiros comerciais de armamentos. Os EUA mantêm nove bases militares na Turquia, incluindo uma onde estão armazenadas armas nucleares. O único país com ao menos um décimo do número de bases estrangeiras dos EUA é o seu mais próximo aliado militar, o Reino Unido, com algumas bases operadas em parceria com os norte-americanos.

Somadas, as bases estrangeiras dos três primeiros países da lista, todos membros da OTAN, totalizam 1.127. O quarto país com mais bases no exterior, a própria razão de ser da OTAN, a Rússia, possui 29 bases em 10 países, todos próximos de suas fronteiras, exceto uma base no Sudão.

Outros países estão começando a adotar a prática, ainda que de forma tímida. Governos como o de Djibuti, que abriga bases de várias nações mediante pagamento, aumentam o risco de conflitos ao permitir esse tipo de ocupação militar estrangeira. Ainda assim, as bases estrangeiras seguem sendo, principalmente, uma empreitada dos EUA, sem que outro país se aproxime da escala norte-americana em lugares como Alemanha, Japão e Coreia do Sul.

A maior mudança nos últimos três anos foi a criação de dezenas de novas bases dos EUA na Noruega, Suécia e Finlândia. Os EUA também abriram novas instalações no sudoeste asiático, na Somália, África do Sul, Panamá, Porto Rico e Peru, além de expandir sua presença no entorno do sudeste chinês: Taiwan, Filipinas, Guam, Ilhas Marianas do Norte, Papua-Nova Guiné e Austrália.

Em várias partes do mundo, surgiram movimentos populares para impedir a construção de novas bases ou exigir o fechamento de bases existentes, e esses movimentos estão cada vez mais conectados entre si. No dia 23 de fevereiro de 2025 e nos dias seguintes, organizações e indivíduos ao redor do mundo realizaram ações coordenadas no Dia Global de Ação pelo Fechamento de Bases Militares. Em mais de 60 localidades, foram realizados protestos contra bases estrangeiras dos Estados Unidos, Reino Unido, Rússia e outros países. Saiba mais em: https://DayToCloseBases.org

Essas bases, muitas vezes, estão instaladas em terras roubadas e perpetuam sistemas de segregação e colonialismo. Causam danos ambientais severos, aumentam os índices de violência sexual e alcoolismo, representam um enorme gasto público, sustentam governos autoritários e facilitam ataques com drones e guerras. Em alguns lugares, os movimentos contra bases ganharam apoio institucional. O governador de Okinawa, por exemplo, visitou repetidamente os EUA exigindo o fechamento das bases em sua região. Há cerca de 20 anos, o governo do Equador expulsou os militares norte-americanos e baniu bases estrangeiras em seu território. Mais recentemente, no entanto, o governo equatoriano violou a própria Constituição ao permitir bases estrangeiras nas Ilhas Galápagos e propôs fazer o mesmo no continente, apesar da oposição de parlamentares.

Em outros uns casos, bases foram impedidas ou desativadas. Em 2024, após anos de luta, a campanha Save Sinjajevina, com apoio da World BEYOND War e outras organizações, reuniu-se com o Primeiro-Ministro de Montenegro, que prometeu não construir um campo de treinamento militar em Sinjajevina, um projeto massivo e destrutivo planejado para a OTAN e os EUA. Em 2006, a população da República Tcheca impediu a instalação de bases norte-americanas por meio de referendos locais, protestos e campanhas de conscientização. Na Colômbia, a pressão popular impediu a construção de uma base dos EUA na Ilha de Providencia, e um novo movimento busca evitar o mesmo em Gorgona, inspirando-se nesse sucesso anterior.

Como mostra o novo relatório, as críticas às bases militares estrangeiras são muitas: elas negam a soberania dos países anfitriões, transformam nações em alvos militares, aumentam a probabilidade de guerras, sustentam governos impopulares, causam danos ambientais extensos, promovem a proliferação de armas nucleares, garantem imunidade penal aos militares estrangeiros e criam estruturas segregadas, nas quais os direitos não são iguais para todos. O público dos EUA, assim como os cidadãos de praticamente todos os países que abrigam bases militares estrangeiras, nunca foi consultado formalmente sobre a instalação ou fechamento dessas bases e, salvo raras exceções, nunca foi sequer incluído em pesquisas de opinião sobre o tema.

 
 
 

Comentários


bottom of page