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Vozes Jovens pelo Desarmamento: A Trajetória da Ativista Lauren Barnard, Pesquisadora Associada da Stop Killer Robots

  • há 14 horas
  • 4 min de leitura

Lauren Barnard é uma jovem ativista britânica associada da Stop Killer Robots (SKR) na campanha de novas leis internacionais sobre Sistemas de Armas Autônomas, em prol de garantir o controle humano sobre o uso da força. 


Sua jornada começou durante a graduação, quando fez um módulo de Direito Internacional Humanitário (DIH), na Universidade de Kent, onde desenvolveu um interesse por alvos sob o DIH. Lauren começou a liderar uma campanha para garantir o apoio de centros estudantis a favor da SKR e fundou um grupo de trabalho para integrar essa iniciativa à política da universidade, o que sucedeu em uma participação como membro ativo na campanha do Reino Unido. 


Minha motivação inicial surgiu do sentimento de de que a questão dos sistemas de armas autônomas não estava sendo levada a sério e que era necessário falar mais sobre esse tem.

A partir desse trabalho Lauren teve a oportunidade de ganhar experiências no campo de regulação de Sistemas de Armas Autônomas, como quando recebeu uma bolsa para participar de uma conferência organizada pela campanha em Viena, em 2024. Em 2025, pôde assumir um cargo remunerado de Pesquisadora, onde está trabalhando com a atualização do relatório “Stop Killer Robots nas universidades do Reino Unido” de 2022, o qual analisa a forma como as pesquisas estão sendo realizadas nas principais universidades do país.


Para dar continuidade explorando seu interesse na regulação dos Sistemas de Armas Autônomas, ela decidiu fazer um mestrado em Inovação, Tecnologia e Direito na Universidade de Edimburgo, onde, ao longo dos anos, seu interesse acadêmico foi se desenvolvendo. A jovem ativista, inclusive, fez sua dissertação de conclusão de curso sobre os impactos do viés de automação nos operadores humanos dos Sistemas de Armas Autônomas e está interessada na forma como a estrutura do comando militar é afetada pela utilização desses dispositivos. 


Minha motivação para continuar engajada nessa campanha é que nós  temos uma oportunidade de reforçar o direito internacional humanitário por meio de um novo instrumento que visa prevenir ataques ilegais ou injustos através da utilização de sistemas de armas autônomas. Não basta só reafirmar o DIH, temos que garantir que o respeito pela humanidade seja preservado no uso da força.

Recentemente, a jovem ativista teve a oportunidade de passar uma semana em Geneva e conversar com diplomatas por participar na sessão do Grupo de Especialistas Governamentais das Nações Unidas (GGE), que aconteceu em março de 2026, sobre tecnologias emergentes e o domínio de sistemas de armas autônomas letais. Foram cinco dias (02-06 de março) de debates formais entre diplomatas, organizações internacionais, acadêmicos e a sociedade civil. O GGE atualmente discute sobre certos elementos de potenciais instrumentos que garantem o uso de armas autônomas de acordo com o direito internacional humanitário. Durante essa semana, ela também participou de eventos a parte, desenvolvendo e dando declarações que enfatizam a missão da campanha em manter o controle humano sobre o uso da força, e fez uma declaração pessoal sobre a importância do conhecimento específico sobre os efeitos dos sistemas de armas autônomas e a necessidade de tomar medidas que mitigam o viés algorítmico inerente da automação. 


Ter a oportunidade de fazer uma declaração perante a uma sala repleta de diplomatas, que tem o poder de implementar mudanças nessa área, foi muito significativo.

Para Lauren Barnard, ser uma jovem ativista atualmente significa enfrentar diversas resistências de diferentes setores, como a indústria e as pessoas que não vêem problemas no desenvolvimento dessas tecnologias. 


O que está em jogo aqui é muito significativo, são vidas humanas, princípios fundamentais do direito de alvos e da guerra justa. É a escassa proteção que os civis dispõem em contraposição à apatia de muitos. Como indivíduos, temos sim uma escolha: se importar ou não com como vivemos nossas vidas. E ser uma ativista pelo desarmamento, hoje, significa escolher se importar apesar de tudo que enfrentamos.

Além dessa problemática, Lauren afirma que outro grande desafio que os jovens ativistas pelo desarmamento têm que enfrentar é financeiro. A jovem se diz sortuda por ter conseguido algumas pequenas bolsas e um trabalho remunerado nesse início de carreira, mas que segue mais engajada nesse trabalho de forma voluntária. Para ela, nós precisamos de mais bolsas dedicadas à participação de diversos jovens nas discussões sobre desarmamento. 


A jovem ativista acredita que outros jovens deveriam se engajar em tópicos de Desarmamento Humanitário, pois o pensamento crítico ao redor de tópicos de guerra, mortes e o crescente uso de armas autônomas deve ser desenvolvido e exercitado. São questões alarmantes e angustiantes, mas que pensar e agir sobre, ao invés de ignorar, é o único caminho para a mudança. 


A necessidade de se engajar por causas como o Desarmamento Humanitário habita na urgência desse problema e que pessoas como ela, vivendo em países improvavelmente afetados por conflitos, devem tentar agir pelas muitas outras, crianças e adultos, homens e mulheres, que não podem fazer o mesmo perante cenários de beligerância e instabilidade ininterrupta. O impacto de tais tecnologias já está sendo sentido e só tende a aumentar, é essa a hora de fazer a diferença. 


Podemos combater a desumanização digital ao sensibilizar questões afetadas pela automação no domínio do armamento, decidindo e reafirmando coletivamente que tal situação é inaceitável.

Redação: Kamilly Rosa

Revisão: Fernando Fiala

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